Fizemos. Muitas discussões, muitos telefonemas. Eu digitei, ficou ao meu gosto. Ao seu também, sopra uma voz.
Ser Anão
Filho de pais com estatura normal: 1,80m e 1,70m. Cresceu normal até um ano de idade mais ou menos. No dia do seu aniversário todos perceberam que era ligeiramente menor que as demais crianças mas nada assustador. Aos dois anos, já era patente que João Bathista era pequeno. Aos cinco anos ficou evidente que era anão. Os pais procuraram os melhores especialistas para entenderem o motivo do filho ser pequeno além da conta. Nenhuma explicação cientifica agradou, mas o pai achou de bom tom divorciar da mãe, culpando-a por algum caso extraconjugal. A mãe ficou com o fardo, o filho, por alguns anos. Um belo dia, levou o filho até uma cidade distante onde tinha um circo e vendeu o garoto. Ele tinha doze anos, poderia trabalhar para se manter. A mãe ganhou o mundo e por anos o anão não teve noticias dela. Do pai sabia que estava casado com uma guria novinha, uma raridade, casou virgem e foi mantida quase em cativeiro até parir um filho. Dessa vez, o pai não desejava nenhuma pequena surpresa.
João demorou meses para adaptar-se à rotina circense. Sentia muita saudade dos pais, das canções que a mãe entoava. A saudade com o tempo virou jura de vingança pelo abandono. Ele faria algo grande , tão grande, que seus pais teriam remorsos por tê-lo abandonado.
O pessoal do circo nunca teve dó dele, era tratado como escravo e obrigado a cuidar dos animais, lavar roupa e mais um tantão de tarefas. Era sofrido, tinha que usar uma banqueta ou uma escada para utilizar a máquina de lavar roupas, a tábua para passar roupas e assim por diante. O seu dono era um sacana de marca maior, levava João ao supermercado e fazia com que ele empurrasse o carrinho e pegasse as compras nas pratilheiras. João subia no carrinho para pegar as mercadorias e usava patins para ficar mais alto e conseguir empurrar a droga do carrinho.
Teve que aprender a andar no fio de aço suspenso, carregando aquela vara imensa que mais o desequilibrava do que tudo. Era usado como bala humana, cabia certinho no canhão. Os trapezistas o usavam como bola,o palhaço gostava de enfiá-lo dentro de uma caixa e deixá-lo lá dentro até ficar roxo pela falta de ar. Ficava em cima de um cavalo segurando a mira para os atiradores de faca. João Bathista sofria calado.
João completou vinte anos sem nunca ter namorado. Mesmo o circo sendo itinerante, ele nunca conheceu uma anã. As mulheres baixinhas eram altas demais e só riam dele. Certo, João era feio, desengonçado e tinha ar de irado. Deixou a barba crescer na tentativa de melhorar seu rosto doído, mas qual o quê, a gozação do povo do circo aumentou. Passou a ser chamado de anão barbado. Nos espetáculos era anunciado como “ O único Anão barbado do mundo”. Foi obrigado a deixar a barba crescer até seu peito.
Cada vez mais João estava triste, desesperançado, certo que merecia uma vida melhor, com algum carinho, com algum sexo. Não aguentava mais masturbação, ele queria era foder, nem que fosse só uma vez.
Durante uma turnê do circo por cidades bem pequenas, em uma parada num posto para o abastecimento dos caminhões, o dono contratou uma mulher que trabalhava na lanchonete. Ela era gorda, feia e gaga,os cabelos pareciam palha de aço e eram vermelhos cor de cebola. Foi batizada de Dona Cebola. Ela não gostou mas fez de conta que não, afinal estava realizando seu sonho de sair daquele buraco de cidadezinha e quem sabe, encontrar um marido. Virgem aos trinta e cinco anos.
João ficou incumbido de alimentar Dona Cebola. O dono desejava que ela ficasse muito gorda, tal qual uma lutadora de sumô, antes de usá-la no espetáculo. João passava o dia cozinhando para a porca gorda e assim ficou livre das outras tarefas. Café da manhã eram dois frangos fritos, almoço um quarto de leitoa e jantar pelo menos um quilo de carne qualquer. Isso fora os lanches entre as refeições principais. Após quatro meses, Dona Cebola já não conseguia mais se abaixar, precisava de ajuda para andar e não conseguia tomar banho sozinha. João tinha que cuidar dela, dar banho , passar talco, pomada nos lugares certos para não criar assaduras. A pior parte era limpar aquela bunda imensa depois de uma cagada,João quase entalava no meio da bunda da Dona.
Apesar de tanta carne mole e gordurosa para limpar, João tinha tesão na Gorda, isso era fato. Ela era a única mulher disponível para ele. Um dia, depois de uma garrafa de vinho de quinta categoria, João convenceu Dona Cebola Gorda a ficar em pé embaixo de uma mangueira. Ele disse que ela precisava respirar aquele ar puro, faria bem para sua circulação e que seria melhor ela respirar bem devagar, com os olhos fechados. Tão logo a Gorda fechou os olhos, João enfiou um balde na sua cabeça e segurando pelas alças , fodeu a danada. Nem ele sabe bem como conseguiu, só lembra que se sentiu dentro de um treco quente e que teve que fazer muita força para meter todo seu pau. Dona Cebola assustou e empurrou o pobre João, ele caiu e bateu tão forte a cabeça que apagou.
Acordou em uma cama de hospital, rodeado de pessoas desconhecidas. Entre essas pessoas, um delegado de polícia querendo detalhes do que ele havia feito com a Dona Gorda. João tentou explicar mas não convenceu. A notícia do seu feito correu a cidade, as pessoas apareciam no hospital para conhecer o Anão que fodeu a Gorda.
O dono do circo viu nisso uma oportunidade boa para ganhar mais dinheiro. Tão logo João teve alta, um novo espetáculo começou: O Anão que fode uma Gorda. Ele viajou o mundo e fez quatro filhos com a Gorda. Todos anões. Abriu uma empresa e hoje é bem sucedido no ramo de espetáculos de sexo ao vivo, com seus filhos atuando. Seus pais nunca chegaram a conhecer seus netos, uma pena.